Faça
a conta comigo: o vinho tem o custo dos 12 meses de tratamento da uva
no vinhedo, depois tem o custo da vinificação (3 meses),
tempo, empregados, etc, depois tem o custo do vidro, do rótulo,
da cápsula, da rolha e outros. Depois de engarrafado, tem que pagar
os impostos do seu país e finalmente o lucro do seu criador (o
produtor). Viaja para o Brasil por navio (que deveria ser todos em containeres
climatizados), que não é barato, quando chega nos portos
é tudo caro! E ainda tem que pagar impostos altos de nacionalização
e adiantados. Após, o transporte até o depósito da
Importadora, (todos os depósitos deveriam ser climatizados), na
hora da venda, tem que pagar os custos fixos, custos variáveis,
impostos fixos do valor da venda de 30% e por final, comissão de
vendas e lucro do importador.
Quanto
será que custa o líquido desta garrafa?
O
comércio de vinhos importados no Brasil é dividido em 3
(três) segmentos que claramente definem o foco da atividade do importador:
1
– Produtos populares de produtores populares que são verdadeiras
industrias voltada somente à quantidade para atender todas as lojas
comuns e prateleiras de supermercados do mundo inteiro. Esse sim tem preços
baixos para atender a grande demanda popular, que naturalmente começa
a apreciar vinhos dessa maneira, o que é bom, pois chama a atenção
de todos para o vinho. Os custos aproximados no mercado são de
6 a 9 dólares por garrafa (20 a 30 reais).
Os
dois próximos segmentos são trabalhados por importadores
especializados que atuam diretamente ao consumidor e com os melhores restaurantes,
distribuindo produtores exclusivos.
2 – Produtores de média à boa qualidade, que normalmente
produzem quantidades bem menores, possíveis de manter a qualidade
e nobreza de seus vinhos para atender o consumo do dia-a-dia dos mais
exigentes, aqueles que não só bebem o líquido derivado
da uva, mas também a história, a tradição,
a honestidade e o respeito da mão do artista (produtor) que o elabora,
a partir deste momento o nome do produtor é o mais importante e
fundamental. O nome do vinho é comum a outros vinhos. Estes são
brancos e tintos que você encontra no mercado brasileiro, numa média
de U$ 12 a U$ 30 dólares a garrafa (de 45 a 110 reais).
3
– Este é o segmento dos mais profundos artistas que elaboram
com muita riqueza de detalhes os melhores vinhos do mundo. Pequeníssimas
produções incapazes de fornecer quantidades que abasteçam
um numero grande de importadores especializados no mundo, imaginem lojas
e supermercados.
Alguns desses mágicos produtores, também tem seus vinhos
simples de vinhedos menos privilegiados, classificados no segmento 2 –
dia-a-dia, estes sem dúvida são os melhores custo/benefício
em ofertas no Brasil, vinho simples de um grande e importante produtor.
Seus
tops vinhos naturalmente, são vinhos mais caros, infelizmente não
acessíveis a todas as pessoas, mais vale a pena pelo menos, conhecermos
suas histórias, suas tradições, sua nobreza que às
vezes somam 300, 500, 700 ou mais anos de vida de pura arte, ao elaborar
um dos dois líquidos vivos do universo, que respiram a natureza,
nascem, são jovens, amadurecem, ficam velhos e morrem. O vinho
e o sangue.
Estes
vinhos brancos e tintos dos melhores produtores, você encontra no
mercado brasileiro por 40, 50, 80, 100 dólares a garrafa e alguns
mais raros com preço muito mais alto como, por exemplo: Romanée-Conti
- Safra 78 por U$ 3.000; Ch. Petrus - Safra 86 por U$ 2.000; Ch. Le Pin
- Safra 85 por U$ 3.000. E alguns de safras mais raras, chegam a custar
U$ 10.000, U$ 15.000 e U$ 20.000 a garrafa.
É
muito importante ficar atento as boas ofertas do mercado, mas também
tomar cuidado com importadores de vinhos comuns e populares que se aproveitam
do sucesso da venda direta ao consumidor através de malas diretas
e catálogos para vender o popular “gato por lebre”,
argumentando às vezes, a mesma linguagem dos melhores, especializados
e sérios importadores do Brasil.
No
Brasil você pode encontrar os melhores vinhos brancos, tintos, champagnes
e proseccos nas três melhores importadoras do país, a Expand
(11 4613-3300), a Mistral (11 3285-1422) e a Terroir Importadora (11 3168-2200).
São as mesmas que juntas atendem o projeto “IN VISA VERITAS”,
que tem o objetivo de aproximar o brasileiro do vinho através do
clube formado pelo uso do cartão de crédito VISA. O nome
traz de volta do latim “IN VINO VERITAS” (no vinho a verdade),
idéia do grande apreciador de vinhos e presidente da VISA Dr. Ricardo
Gribel.
Coincidentemente
a idéia que tive de esclarecer o custo mínimo para se pagar
e obter um vinho honesto no Brasil, aproveito para reproduzir de maneira
sucinta, a matéria – Le juste prix du vin – que foi
publicada em Setembro de 2002, na Revista francesa “La Revue du
Vin de France”, a mais importante e tradicional publicação
de vinhos da Europa, onde os mais representativos nomes do júri
profissional mostram com preocupação os custos mínimos
de produção de um vinho de medíocre ao bom vinho,
com a finalidade de evitar que produtos de baixa qualidade representem
de maneira errada o seu país. |

Nº 464 - Stembro 2002 |
| Appellations
(rendements moyens
calculés sur
plusieurs années) |
Coût
de production
du raisin
(à la bouteille) |
Coût
de vinification
+ élevage
(à la bouteille) |
Coût
de la mise
en bouteille
(bouchon, étiquette,
emballage, main ó’ceuvre) |
| Vin
générique |
Grand
vin |
Vin
générique |
Grand
vin |
Vin
générique |
Grand
vin |
| Entre-deux-Mers
(rendements moyens 60hl/ha) |
0,45€ |
1,20€ |
0,10€ |
2€ |
0,50€ |
1€ |
| Côtes
de Bourg
(rendements moyens 54hl/ha) |
0,80€ |
1,20€ |
0,10€ |
2€ |
0,50€ |
1€ |
| Saint-Émilion
(rendements moyens 55hl/ha
35hl/ha pour les grands vins) |
1,05€ |
3€ |
0,10€ |
3€ |
0,50€ |
1,50€ |
| Médoc
(rendements moyens 55hl/ha
42hl/ha pour les grands vins) |
1,27€ |
3€ |
0,14€ |
3€ |
0,50€ |
1,50€ |
| Sautemes
(rendements moyens 13hl/ha) |
3,80€ |
6,70€ |
0,35€ |
3€ |
0,50€ |
1,50€ |
| L’addition
des frais de production du raisin, de vinification et de mise
en bouteille donne le coût de production. Ce tableau
ne comprend pas le charges annexes (frais généraux,
promotion, etc), trop variables selon la taille et le prestige
des domaines. |
|
|